sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Ainda a RS040

A respeito da crônica da semana passada, um leitor ligou para lembrar da proposta que empurraram nas políticas públicas do nosso Plano Diretor, que priorizou a implantação de corredor de ônibus na nossa principal avenida, a Sen. Salgado Filho. Segundo ele, seria a solução para ao nosso trânsito que vai de encontro ao caótico nos próximos anos. Eu já acredito que vai demorar um bom tempo antes que se instale um corredor de ônibus por aqui. Não existe vontade técnica ou política, nem tampouco dinheiro. Sem contar que cada vez mais o viamonense, assim que pode juntar uns trocadinhos, opta pela compra de um carro pra fugir da escravidão do transporte coletivo.
Escravos dos horários
Digo e repito, sempre: o usuário do transporte coletivo em nossa cidade é escravo das tabelas e dos horários das empresas de ônibus. O cidadão, aqui em Viamão, fica na parada muitas vezes por mais de uma hora pra pegar um coletivo. Em alguns pontos da cidade, como na Av. Liberdade, na Santa Isabel, passam cinco ou seis linhas de ônibus, uma atrás da outra, e depois chega-se a esperar quase uma hora por uma nova onda de itinerários e destinos. Alguma coisa está errada, e ninguém, nem empresas, nem poderes públicos (estadual ou municipal) sabem o que está acontecendo.
Moralização
Os mais velhos devem se lembrar da intervenção que o primeiro mandato do PT, à frente da prefeitura de Porto Alegre fez nas maiores empresas de ônibus, lá na década de 1980. Porto Alegre tinha um serviço de transporte coletivo que já era modelar, mas deixava muito ainda a desejar, pela ingerência e a falta de profissionalismo dos proprietários das empresas de ônibus. Não restou alternativa que não fosse a intervenção, que transformou as relações entre as empresas e o poder público na época. Hoje por exemplo, se existe uma associação de transportadores, é fruto desta intervenção. As empresas se modernizaram na marra e as estruturas que eram familiares tiveram que se acostumar com os novos tempos, tornando-se mais profissionais. Se hoje o serviço em Porto Alegre não é o melhor do mundo pelo menos está funcionando satisfatoriamente.
Promessas
Eu e o Lilja resolvemos colecionar o material dos nossos candidatos. É mais por diversão do que qualquer outra coisa. Digo diversão, porque tem material circulando que é uma verdadeira piada. Mas como não podemos citar ninguém, depois da eleição poderemos até fazer um grande mosaico sobre o pleito de 2008. Se você quiser colaborar, deixe o material do seu candidato aqui no Diário, que será bem vindo.
A propósito
Falando em material de campanha, esta semana uma frase se juntou às máximas de cada maratona eleitoral, como “muro não vota”, “eleitor não dá recibo” e por aí vai. Esta semana um candidato lascou esta: “o povo gosta é de ver figurinha, ninguém lê santinho”. Me atrevo a corrigir o candidato. O povo gosta de ler material bom. Material ruim nem pra ver “figurinha” o eleitor pega!
Coluna publicada em 26 de julho de 2008.

Serasa Eleitoral (2)

Já pensou se fosse assim. Você chega a uma loja para fazer um crediário, comprar um televisor ou uma geladeira nova, e o atendente lhe informa:
- Sinto muito senhor, seu crédito não foi aprovado.
- Como assim? Não foi aprovado? Mas eu estou com todas as contas em dia, SPC e Serasa em ordem! – você responde surpreso.
- Parece que é o TRE...
- O quê? TRE!
Aí o vendedor te explica que agora o TRE está controlando os votos, se o político em quem você votou fizer alguma besteira, um deslize que seja, batata: quem votou fica com o nome sujo, até a próxima eleição. Ou até que o deputado, vereador, senador, ou sei lá o quê, seja cassado. Mas ninguém vai ficar sabendo em quem você votou. Só você e o supercomputador da Justiça Eleitoral. Seu voto vai ficar armazenado no banco de dados e ninguém poderá furar o sigilo, a máquina só informará que você votou mal pacas! Não diz nem que é o cara de pau do político! E vai trancar o seu CPF. Nada de compras pelo crediário. Nada de talão de cheques. Desta maneira você vai ter que puxar pela memória e tentar lembrar em quem votou.
Claro que isso é uma brincadeira, não existe a menor hipótese de isso acontecer, mas já pensou se fosse possível? Muita gente iria pensar duas vezes antes de emprestar seu apoio a este ou aquele candidato. E eles, os candidatos teriam que ter mais escrúpulos, para não colocar em risco a capacidade de compra de seus eleitores. Muitos escândalos e maracutaias talvez não acontecessem porque o eleitor seria mais fiscalizador. Não das atitudes políticas, mas pelo risco eminente de se tornar um freqüentador das listas do Serasa Eleitoral.
Fomos Enganados
A duplicação da RS040 já tem mais de 25 anos. Pois naquela época nos entregaram uma rodovia moderna, ampla e segura. Hoje em dia ela tem tantos nomes que confundem não só os forasteiros, mas também gente de nossa cidade. É Avenida Senador Salgado Filho, Rodovia Tapir Rocha e por aí vai. Antes era só a “faixa” pra Viamão.
Pois recebemos uma estrada e hoje temos uma avenida, a mais movimentada do município, com uma plantação de semáforos crescendo dia após dia. E dá-lhe engarrafamento e transito lento nas horas de pico. Culpa do crescimento econômico? Não mesmo!
O maior culpado da proliferação de sinaleiras é a falta de vias urbanas que liguem nosso município. Nossos planejadores municipais adoraram o presente que o governo do estado nos ofereceu na década de 1980 e esqueceram que a cidade cresceria e precisaria de mais vias. Esqueceram ou não acreditaram. Faltou visão não só dos técnicos que deveriam fazer soar o alarma do desenvolvimento, mas também dos sucessivos prefeitos municipais que esquentaram o banco, mas não pensaram grande. Nenhum foi visionário o suficiente para enxergar que o Condomínio Cantegril estava se transformando em um enclave urbano que separou a cidade. Nenhum se preocupou em ordenar o crescimento para que a cidade não se espraiasse pelos campos “encoxilhados” de Viamão.
Não temos um projeto a longo prazo para dotar o município de outra via para ligação dos “bairros” e nem tampouco um projeto de alargamento ou duplicação da RS040, pelo menos no perímetro urbano. E se você acha que é um exagero pensar nisso agora, é bom lembrar que a Terceira Perimetral de Porto Alegre, que já está estagnada, foi pensada em 1969. Ou seja: é preciso pensar com muitos anos de antecedência para não ser pego de surpresa. E ainda assim, correr o risco de não corresponder à demanda. Por isso cobre do seu candidato à prefeitura soluções não para os próximos quatro anos de seu mandato. Cobre soluções para o futuro.
Coluna publicada em 19 de julho de 2008.

MPV

Música Popular Viamonense! Quem usou pela primeira vez esta expressão (que eu saiba) foi a Gládis Helena, locutora da Viamão FM, lá no início da rádio, no Conversa de Bar, quando um montão de jovens e velhos músicos e compositores iam lá pra Rádio apresentar seus trabalhos. Apareceu tanta coisa boa que o Identidade Viamonense virou um programa que só toca música de Viamão. E tem muita música pra tocar! Mas você sabia que a música de um viamonense está entre as 100 maiores composições brasileiras de todos os tempos? Você já deve ter cantarolado:
“Me faz pequena, asa morena/me alivia a dor,
aliviando a dor que mata /me faz ser teu amor...”
Essa canção ficou famosa na década de 1980 na voz de Zizi Possi, e foi escrita por Zé Caradípia, que cresceu ali na Viamópolis, na Rua Tiradentes. Tenho que confessar que quando o entrevistei para a Revista Viamão, há quase dois anos, fiquei um tanto emocionado, pelo orgulho de conhecer o compositor deste verdadeiro tesouro. Se você colocar todas as músicas brasileiras, compostas em todos os tempos, em um quilo de arroz, as cem maiores cabem em um único grão. É neste verdadeiro Olimpo musical que está a pérola de Asa Morena.
Então Asa Morena só pode ser a maior música viamonense de todos os tempos! E aí vou me atrever a classificar a segunda maior composição. “Regime Fetal”, de Marcelo e Marquinho Binatti é indiscutivelmente, para mim, a segunda maior canção viamonense. E olha que só tomei ciência da música depois de conhecer a maioria das composições do Tio Marcelo. Há poucos dias Marcelo recebeu uma justa homenagem na Câmara de Vereadores, pelo seu belo trabalho nas cinco edições do Som do Pimpolho, a maior manifestação fonográfica que já aconteceu por estas terras, reunindo grandes artistas pra cantar com os alunos da Escolinha Pimpolho, da Santa Isabel. Regime Fetal tem 22 anos, mas se torna cada vez mais atual. Se você ainda não conhece, eu a transcrevo, mas vá atrás de uma cópia do CD do Femuvi de 1985. Vale a pena por ela e pelas outras composições.
“Tens Jesus, te traduz/ “Teimosia, amores e cruz”
De um Ortiz, vermelho diz/ Garrafais: Somos todos iguais!
Diferentes te comparam/ Com europas, cachopas de gente
És moldura das demais/ Na fome dos nossos jornais.
Verdes praças que te cercam/ De poeira, sangue e fé
De barreiras em distâncias/ Serás o que Deus quiser
De crenças, conservas, nuvens/ Santos, índios, velhos nomes
Assaltos, sarros prosseguem/ À noite o perigo dos “homi”
Nasce mais um dia/ Isso é que é paixão
Natureza dona da tradição
Nasce mais um dia/ Isso é que é paixão
Natureza chama: Revolução!
Voluntários dessa terra/ Peito encerra ódio e paixão
Crianças adulteradas/ Doutrinadas num sermão
Padre Bernardo, preito, prefeito/ No direito de falar
De culpados inocentes/ Tanta gente a nos julgar
Isabel, Elza e Cecília/ São mães, são vilas
Do mesmo pai
Tão temida Esmeralda/ Véu grinalda, triste vai
Aos pontapés, “palavrão”/ Lisboa, chão, Sabão, fiscal
E o alto preço da passagem/ Pra viagem capital
De paradas trinta e dois/ Ações, arroz, suor, enxada
Cruzados braços neste laço/ Passo a passo, estrada
Independentes esquecidos/ Num gemido dizem cantar
No sustento de outros tantos/ No entanto a explorar
Ante amigos foragidos/ Desprotegidos do saber
Do fumo, rola bola, história/ Nós agora... Reviver!
Isabel, Elza e Cecília/ São mães, são vilas
Do mesmo pai
Tão temida Esmeralda/ Véu grinalda, triste vai
Aos pontapés, “palavrão”/ Lisboa, chão, Sabão, fiscal
E o alto preço da passagem/ Pra viagem capital
Nasce mais um dia/ Isso é que é paixão
Natureza dona da tradição
Nasce mais um dia/ Isso é que é paixão
Natureza chama: Revolução!”

Identidade Viamonense é transmitido pela Santa Isabel FM - 91,7 todos os sábados das 18 às 20 horas.
Coluna publicada originalmente em 18 de agosto de 2007 e republicada em 12 de julho de 2008.