sábado, 4 de julho de 2009

Orgulho gaúcho

Certamente vamos querer apagar esta semana que passou das nossas memórias, pelo menos em se tratando de futebol. Nossas equipes, representantes da valentia e da bravura gaúcha, deixaram os forasteiros entrarem no salão, dominarem o baile e ainda por cima dançaram com a mais bela prenda. Uma vergonha para o povo que se orgulha de ter, um dia, amarrado seus cavalos no obelisco, em plena capital federal de então. Vai ser difícil recuperar o respeito no centro do país.
Primeiro o Internacional
O Inter começou a perder o segundo jogo da decisão da Copa do Brasil quando Fernando Carvalho denunciou, através de um dossiê, uma maquinação maluca que pretendia entregar o título ao Corinthians.
Só esqueceram-se de dizer ao dirigente colorado que o time paulista tinha uma boa vantagem e sua denúncia “blindou” a arbitragem (que foi excelente, diga-se de passagem) e tirou a responsabilidade das costas dos jogadores colorados. Qualquer coisa que acontecesse (e aconteceu) era por culpa do juiz. Uma temeridade o que fazem alguns dirigentes.
Depois o Grêmio
Já o Grêmio decretou o seu fracasso na Libertadores quando crapichosamente decidiu esperar por um técnico que tinha compromissos com outro time, lá do outro lado do mundo. Vamos combinar que o estilo de Autuori não é o que a torcida está acostumada. Mas o treinador chegou cheio de moral e valorizado pela própria espera que a direção aceitou. Isso reforça as convicções do treinador e vai ser difícil alguém agora querer criticar.
Ainda por cima nosso time está muito abaixo do nível que o Grêmio merece. Nenhum de nossos jogadores tem personalidade e se abatem facilmente com resultados negativos. E não é de hoje. É só lembrarmos do Brasileirão de 2008, quando de uma hora para a outra começamos a perder pontos importantes e entregamos um campeonato de pontos corridos para o São Paulo. Aí ficou fácil culpar o treinador e sacá-lo quando a coisa encrespou no Gauchão deste ano.
Dossiê Gauchão 2009
Aproveito para tornar pública também uma denúncia sobre o Campeonato Gaúcho. A Federação Gaúcha armou contra todos os outros times para favorecer o Internacional. Sim, é verdade!
Para que o Inter não passasse o ano do seu centenário sem um título, como aconteceu com o Grêmio em 2003, a FGF ajeitou o campeonato para que o Colorado fosse campão e iludiu a sua torcida, além do que o nível deste ano, no certame regional foi muito baixo. E vai ser só este o título do time da margem do Guaíba para 2009. Se conformem, por favor.
Ainda o trânsito
Sei que o trânsito aqui no Centro não é nenhuma maravilha, mas temos que concordar que com a estrutura medieval que são as nossas ruas, é difícil qualquer intervenção que resolva. Ainda mais que os comerciantes insistem em querer que as pessoas passem de carro defronte às suas lojas.
Precisamos urgentemente que a Bento Gonçalves seja alargada, entre a Isabel Bastos e a RS-118, e para isso a prefeitura deveria convencer a Empresa Viamão a recuar um pouco e perder um pedacinho do seu latifúndio urbano de quase oito hectares.
Senão, não tem conversa. Precisamos de uma via estrutural para onde possa desaguar o tráfego do Centro e diminuir a pressão nas outras artérias. Como um corpo humano, a região do Centro está próxima de um colapso se nossos governantes não tomarem uma atitude ousada.
Eu queria ver
Por que a Acivi, que se coloca como a representante dos empresários e do Comércio de Viamão, não luta também por melhorias no trânsito da Santa Isabel ou lá da Parada 17, na Augusta, onde também é complicada a situação dos comerciantes, com aquela rua estreita e movimentada?
Está na hora de criarmos uma seção da Acivi para o 4º Distrito. Ou então assume logo que estão se lixando para as vilas de nossa cidade.
Coluna publicada em 04 de julho de 2009.

terça-feira, 30 de junho de 2009

Minhas fotos na Zero Hora

Na cobertura da passagem do Lula pela Vila Bom Jesus, na sexta-feira, capturei mais de 200 imagens. Quando o Lula começou a falar de futebol, notei que este cara começou a se manifestar lá de fora do evento, de cima de uma escada.


Enquanto os profissionais, com suas poderosas teleobjetivas fotografavam o Tarso Genro (que é gremista) e o Olívio, que é colorado, fazendo caras e bocas com a brincadeira do presidente, senti que a foto emblemática da situação era esta do gremista, lá atrás do Lula.


Aposta certa, as imagens saíram e fico feliz pelo reconhecimento dos amigos que me avisaram do feito.

sábado, 27 de junho de 2009

Black or White?

Acho que até não poderia ser diferente. Os grandes mitos não podem morrer de velhice. Seria estranho, muito estranho mesmo, se Michael Jackson morresse velhinho, sentado numa cadeira de balanço, na varanda de sua fazendola californiana, a famosa Neverland.
Numa retrospectiva rápida, todos os grandes ícones desse poderoso mundo que é a música nos deixaram precocemente. De Gardel a Elvis, passando por Hendrix, Carmen Miranda e Lenon, todos ficaram mitificados exatamente por terem nos deixado um legado maior que a sua existência terrena.
Michael Jackson talvez tenha sido o último ícone que ficará para a posteridade. Na verdade não sobrou nenhum. O quase septuagenário Mick Jagger insiste em rebolar pelos palcos e Madonna já mostrou que está em boa forma e vai alcançar a marca de Dercy Gonçalves. Então não sobrou mais ninguém.
Com Jackson também se vão os últimos elos que nos ligam aos anos oitenta, quando o Pop invadiu o mundo, embalado pela era Reagan.
Naqueles anos oitenta, nós tínhamos medo da guerra fria, de bombas atômicas e a música, francamente, era um tanto alienante, mas foi lá que se determinou o futuro do show business. Michael foi o maior vendedor de discos do mundo, com grandes sucessos no topo das paradas por vários anos. Hoje, quando a venda de música já nem existe mais por culpa da internet, isso parece mesmo coisa do passado.
A indústria do videoclipe, por exemplo, não foi inventada por Jackson, mas ele a transformou e fez os clipes mais atraentes. Jackson é indiscutivelmente o Rei do Pop, porque foi o resultado de tudo o que a música negra produziu nos últimos sessenta anos. Tudo reinventado e liquidificado para conquistar o mundo. Esse talvez seja o seu legado. Pena que nenhuma das apresentações programadas para a sua volta tenha acontecido, para nos dar uma idéia do que ele mostraria para os seus fãs. Visto desta maneira, parece até que tudo foi ensaiado, mais uma vez.
Ala petebista
Causou desconforto em algumas lideranças petistas de Viamão, que ciceroneavam algumas figuras estaduais no encontro que o PT promoveu domingo passado, a decisão da corrente governista de não se posicionar nem tampouco debater a corrida ao Governo do Estado, tão importante para um partido que se diz tão democrático. A ala petebista do PT, que entendeu ser prudente não descer do muro agora, quer esperar o caldo engrossar, mas parece mais uma atitude fisiologista, esperando para só aderir quando cavalo do delegado já estiver no paddock. Pegou mal no encontro e vai ficar pior ainda no futuro.
Hei de torcer, torcer, torcer...
Se antes a minha relação com a seleção brasileira era de indiferença, nesta final da Copa das Confederações tenho que confessar que vou torcer contra a equipe do Dunga. Principalmente pelo tratamento dado aos clubes gaúchos, desfalcados por seus principais jogadores em momentos tão decisivos. Claro que dirão que Victor não tem a mesma importância de Nilmar, mas o goleiro gremista dava um pouco mais de segurança para a nossa zaga. Nem adianta, não mudo de opinião: vou secar direto a seleção.
Macaquitos
Nem pensar defender qualquer manifestação racista, mas podemos enriquecer nossa compreensão sobre esta questão que volta e meia assombra nossa relação com os vizinhos argentinos, como no episódio envolvendo Maxi Lopes, em Belo Horizonte.
Desde a Guerra do Paraguai os argentinos se referem a nós brasileiros como “macaquitos”. E não é pela cor. De acordo com relatos da época, os argentinos menosprezavam nossas tropas porque os exércitos platinos (Argentina e Uruguai) lutavam defendendo as suas nações republicanas, enquanto nossos soldados lutavam para defender as terras do Imperador Dom Pedro II. Diziam então que éramos “macaquitos” (bonecos de marionetes), pois homens livres lutam por um ideal e não por um monarca.
Coluna publicada em 27 de junho de 2009.