sábado, 6 de fevereiro de 2010

Plano B

Nunca escondi que não gosto do Plano Diretor, construído com a participação popular em 2006. Sabem disso os técnicos da prefeitura, os meus colegas de profissão e os vereadores. Aí quando me perguntam algo sobre o Plano, sabem que vou criticar. E se perguntam o que é preciso fazer, respondo prontamente que temos que reformar esta lei. Não há nada mais a fazer.

Agora a Prefeitura acena com a possibilidade de reforma do Plano Diretor e até marcou uma série de reuniões para ouvir a comunidade (só falta avisar a população), e se vocês pensam que estou animado com a decisão, estão todos enganados.

Primeiro porque a reforma desta lei (a 3530/2006) tinha que ser convocada durante a Conferência Municipal da Cidade, realizada em dezembro do ano passado. Lá é que deveria ter sido deliberado o calendário das reuniões, o regimento dos encontros e como de daria a participação da comunidade.

Alguns conselheiros do Concivi dizem ser desnecessária esta formalidade, mas convenhamos, o foro legítimo para assuntos desta natureza deve sempre ser a conferência, pelo menos para que a representatividade seja assegurada à população.

Depois porque nestes três anos de existência da lei o que nós queríamos mesmo, ver implementadas, eram as leis complementares previstas na redação do Plano Diretor. Nada avançou nesta cidade pela falta destas leis complementares. E não adianta dizer que dava para se virar com o que já existia porque é uma desculpa esfarrapada. Nosso Código de Obras (que deveria ser revisado há dois anos, conforme o Plano Diretor aprovado) já perdeu sua razão de existir. O microzoneamento, tão necessário, jamais foi incluído em qualquer discussão. Então convocar a população para reformar uma lei que nem conseguiu ser aplicada em sua plenitude é, no mínimo, falta de bom senso.

Uma saída para Viamão

Achei que iam parar, mas depois das mudanças no trânsito, do Centro, o pessoal voltou à carga pedindo para que eu coloque aqui na coluna as impressões (não as minhas, as deles) sobre as reformas. No geral, o pessoal está preocupado com a falta de informações e que está difícil cruzar a cidade já que, segundo a maioria, a intenção parece ser facilitar a vida de quem quer sair de Viamão.

O nó do Hospital

Não tinha entendido o porquê da SMTT não incentivar o uso da Coracy Prates da Veiga como acesso ao Hospital, para quem vem pela Bento Gonçalves. Passei pela rua que fica bem em frente ao portão da Emergência, esta semana, e entendi o motivo. Se carros estacionarem nos dois lados da via, não dá pra passar. A rua é muito estreita. Só proibindo o estacionamento em um dos lados.

Também ficou perigoso o encontro da Isabel Bastos com a Bento. Quem vem da primeira entra direto e não respeita a preferência e a placa de pare, na esquina da Bento Gonçalves.

Cadê a vaga que estava aqui?

Se eu não me engano, uma das promessas do Executivo, com as mudanças, era permitir que em alguns lugares, voltasse o estacionamento oblíquo, como ocorria antigamente defronte o Nacional.

Vou esperar uma manifestação da Acivi e dos comerciantes do Centro, mas eu tenho a ligeira impressão que, ao contrário do que foi dito pela administração municipal, não aumentou o número de vagas no Centro. Parece que muitas evaporaram com as reformas do trânsito.

Coluna publicada em 06 de fevereiro de 2010.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Atenção: 2010 à frente

Leitor não tem idéia de como a turma gosta de pautar esta coluna. Perguntaram-me, esta semana, se eu não iria escrever alguma coisa sobre as modificações no trânsito do Centro. Já escrevi! Há mais ou menos seis meses, quando a alterações foram anunciadas. Agora resta esperar para ver se vai funcionar, e acredito particularmente que vai melhorar, é só questão de tempo.
Até porque a configuração que funcionou até hoje também teve seu momento de crise e depois se resolveu. Já disse antes: não dá para fazer milagre em uma estrutura colonial como é o Centro de Viamão.
Para inglês ver
Minha única crítica é quanto às placas de orientação que, com exceção daquela junto ao cruzamento da Garibaldi com a RS-118, não indicam nenhuma vila do município. Neguinho sai do Centro e só tem orientação para as outras cidades.
O futuro aqui e agora
Até que o Fórum se mude para a Bento Gonçalves, daqui a uns quatro ou cinco meses, advogado que nunca veio à Viamão vai ficar dando voltas na entrada da cidade.
Sugestan
Sabe o que seria legal? Aquelas placas que usam nas cidades do interior, com um monte de setinhas que apontam para todos os espaços e prédios relevantes, como museus, campos de futebol, bancos, praças, ‘praínhas’. Quase sempre se enfileiram pela rua principal e são uma mão na roda para quem é de fora. Sem contar que em um município do tamanho de Viamão ajudariam a população a conhecer os serviços e equipamentos que existem na cidade.

Paciência
Amigos dizem que já desistiram, faz tempo. Como bom viamonista, tento resistir, mas a cada dia tenho menos paciência com algumas figurinhas capelistas. E isso que eu sou do tipo que procuro predicados e álibis para defender as atitudes e pensamentos desta turma. Só que estão se transformando em um prato cheio para a promotoria.
BBB
Outra coisa irritante é esse Big Brother Brasil. Faz tempo que não assisto e sei da movimentação da casa pelos jornais e pelas rodas de conversa. Não sei como ainda tem gente que sonha em entrar na casa. Tem que ser muito esquisito para sonhar com isso. Peraí, sendo esquisito entra.
Piadinha cibernética
Um grande cientista americano acaba de concluir o mais moderno projeto de computador já realizado. Ele é capaz de fazer pesquisas inteligentes apenas com comandos verbais. O chefe do projeto, para garantir a perfeição do produto, faz uma pergunta:
- Onde está meu pai?
O computador dá a resposta imediatamente:
- Seu pai está pescando no Pantanal.
O chefe do projeto está arrasado. Depois de tantos anos de pesquisa e trabalho, a primeira resposta do computador está errada. Diz ao seu assistente:
- Tem um bug em algum lugar. Meu pai morreu há 10 anos. A pergunta era uma armadilha.
Toda a equipe reestuda o projeto, mas antes do novo teste alguém sugere:
- Que tal formular a pergunta de outro jeito? Talvez o computador tenha feita uma interpretação errada.
O chefe do projeto concorda e refaz a pergunta:
- Onde está o marido de minha mãe?
O computador responde com sua voz metálica:
- Ele morreu. Mas seu pai ainda está pescando no Pantanal.

Coluna publicada em 30 de janeiro de 2010.

sábado, 23 de janeiro de 2010

Gastronomia política

Uma das questões que ia “pegar” neste início de ano, se o Haiti não tivesse tremido tanto, era a proposta do Governo Lula de controlar o conteúdo editorial dos meios de comunicação sob o pretexto de que os organismos de comunicação não têm tanto poder (e direito) de opinar sobre a maneira como se conduz o futuro político e econômico da nação. Antecipando-me (e preparando) para esta possibilidade, lembrei que durante os tristes “anos de chumbo” uma das alternativas dos editores ao poder da censura era publicar, nos espaços vetados, inofensivas receitas de culinária, mas que não passavam despercebidas pela opinião pública.
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Enroladinho à Setembrina
Ingredientes:
- sete escolas de samba viamonenses;
- uma rádio comunitária
- políticos de ocasião (a gosto)
- uma passarela do samba
- público (o que você conseguir juntar)
- alegorias e fantasias
- um secretário de cultura (para o molho Branco)
Modo de preparo:
Limpe e desosse as escolas de samba e reserve. Comece a cozinhar a rádio comunitária em fogo baixo, mas de vez em quando tempere para deixá-la bem apimentada. Corte os políticos em tiras bem fininhas, e coloque no fundo de uma panela de ferro. Você vai ter que colocar todos os outros ingredientes por cima para abafar os políticos durante o cozimento.
Em uma passarela do samba, bem apertada e desconfortável acomode o público em duas camadas, sobre o papel machê das alegorias. Junte o molho “branco” que você preparou com o secretário de Cultura e deixe descansar.
Ao final, jogue as escolas de samba, e leve ao forno. Sirva decorada com as fantasias para que o prato fique bem bonito.
Dicas:
As escolas de samba podem ser adquiridas em um kit, associadas e já amaciadas.
Dê preferência por políticos com ambições estaduais, são mais fáceis de cozinhar.
E fique atento: rádios comunitárias são ariscas e só devem ser abatidas na hora do preparo, para não estragarem o prato.
Se você não gostar do sabor das escolas de samba, e preferir um sabor mais gauchesco, pode optar por tradicionalistas ao invés de carnavalescos.
Como sobremesa apresente aos seus convidados um delicioso arroz com leite.
Tempo de preparo: quarenta dias
Rendimento: dois mandatos.
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Janeiristas
Uma infinidade de amigos e colegas faz aniversário em janeiro, o que me faz pensar que este mês é o melhor para nascer (ou abril seja o melhor para fazer sexo). Só no dia nove de janeiro, dia do meu aniversário, tenho meia dúzia de amigos. Ainda vamos colocar em prática o plano de irmos todos juntos àqueles restaurantes que prometem não cobrar a conta dos aniversariantes
Por isso mando um abraço para todos os meus irmãos janeiristas e agradeço o carinho daqueles que lembraram do meu aniversário. Ao que não tiveram o privilégio de nascer no primeiro mês do ano, só posso lamentar.
Ajuda ao Haiti
Louvável a atitude dos servidores do Grupo Hospitalar Conceição que se alistaram para colaborar na reconstrução do Haiti. Um funcionário do GHC me cochichou que não irão de graça, mas com gordas gratificações. Será? E ninguém se habilita para resolver o caos do Conceição
Filosofia barata de hospital
Para nós, que não temos pressa de morrer, o SUS realmente funciona. Mas só depois que entrar no sistema.
Perguntinha que não quer calar
Se a Corsan vai furar toda a cidade, para quê então continuamos calçando e pavimentando novas ruas?
Coluna publicada em 23 de janeiro de 2010.