quinta-feira, 9 de abril de 2009

Não é bonde...

Natural esta mania do ser humano de copiar tudo o que é ruim, de mau gosto ou nocivo para a nossa sociedade. Pior ainda é que são as agruras do nosso povo que invadem as páginas dos nossos jornais. São notícias desagradáveis na página policial (e não poderia ser diferente), nas páginas de economia, na cobertura da cidade e até nos esportes, onde volta e meia aparecem os reflexos do que há de pior nas relações sociais, escondidos em meio às torcidas.
Agora é a vez das escolas. Você tem acompanhado aqui mesmo no DV. A nova onda são os bondes, ajuntamento de irresponsáveis que atazana o dia a dia escolar, e por aí vai. Quem será que inventou este termo? Ou melhor, quem emprestou deste saudoso veículo de transporte coletivo a definição que assusta pais e professores?
É gangue!
O termo mais correto é gangue. Ou quadrilha, bando, marginália, sei lá. A terminologia esconde e separa mais uma casta social. Talvez para que alguns espertinhos se escondam dentro destes clãs infanto-juvenis. Porque têm muitos pais que acham que não tem nada de mais nestes grupos. “São turmas que se reúnem para expressar seus pontos de vista”, dirão os mais ingênuos. Mas sempre que alguém utiliza um grupo para se esconder e no meio do anonimato provocar estragos de toda a ordem na sociedade, isso é desvio social. Não tem desculpa! E nossos meios de comunicação há quem tente glamourizar o incidente. É o bonde tal, a turma qual... Não! É a marginália! Batedor de carteira é ladrão, pixador é vândalo e usuário de drogas é viciado, não existe meio termo. Se a notícia é ruim, é nociva para o meio, não dá para mascarar com sinônimos.
Internet ajuda
Meu filho mais velho usa a internet diariamente. MSN, Orkut, download de músicas, vídeos, por aí vai. O mais novo também, mas ainda conseguimos controlar o uso destas ferramentas. O engraçado é que tudo está na internet. Até apoio aos trabalhos escolares. Só que isto eles não sabem, como a maioria dos jovens, encontrar.
Dia desses fiquei pensando: como é que a gente fazia nossos trabalhos? E lembrei, com livros! Pesquisa escolar já foi feita com livros, não é uma maravilha? Aí me dizem que hoje não é mais possível, pois nossos filhos têm que ficar o mínimo de tempo possível nas escolas, agora alvo dos “boooondes” (gangues!). Voltar à escola fora do horário de aula, então, nem pensar.
Entregamos a cidade para a marginália
Na verdade estamos é entregando os últimos redutos possíveis de serem utilizados por pessoas de bem para os marginais e para aqueles que querem se aproveitar do medo coletivo. Deveríamos fazer justamente o contrário do que temos feito nos corre dos anos. Deveríamos ocupar a nossa cidade e espantar as manifestações nocivas. Temos que retomar o espaço de nossas escolas, e a importância deste equipamento para nossas famílias.
Outro local que hoje assusta as pessoas de bem é a Avenida Liberdade, aqui na Santa Isabel. No domingo a partir das 18 horas, se transforma em terra de ninguém, sem respeito à civilidade. Som alto, bebedeiras, consumo de entorpecentes, menores fazendo todo o tipo de bobagens, gritos e brigas. Mas ninguém se importa.
Volta e meia a Brigada dá uma dura, mas depois a baderna volta a imperar. Tem quem diga que tudo isso ocorre sem repressão porque a algazarra amaina uma quadra antes da casa do prefeito Alex, que mora bem no coração da Santa Isabel.
Será que se a baderna fosse em frente da casa dele ele deixaria acontecer todos os finais de semana? Duvido.
E nem me fale em Ministério Público, porque aí é piada!
Ano do Dragão
Um centro místico ali do Caminho do Meio, envia email com mapa astral informando que as conjunções estelares e zodiacais registram o final de uma Era que amarrava algumas decisões em nossa cidade. Parece que acabou na semana passada a Era do Dragão, e isso vai minimizar alguns problemas e que se espera uma nova era de prosperidade, principalmente para a região do Caminho do Meio e do Castelinho. Mas existe outra força que rege os viamonenses que só vai acabar daqui a quatro anos. Até lá vamos vivendo sobre a influência da Era do Burro, como apregoa a sabedoria oriental.
Coluna publicada em 04 de abril de 2009.

A grama do vizinho

Quando fui estagiário da Prefeitura de Porto Alegre, em 87, tinha um colega que morava lá no fim da Lomba do Pinheiro. E ficávamos debochando um do outro, tipo: quem morava pior. E todo o santo dia, na Kombi que nos levava para os serviços externos era a mesma conversa fiada: morar em Viamão é ruim, mas no Pinheiro era muito pior, dizia pra implicar com o coitado e ele rebatia:
- Pelo menos moro em Porto Alegre!
E assim ia até que o Ricardo, que morava na zona sul, interveio:
- Nem Viamão, nem Lomba do Pinheiro. Bom mesmo é morar na Tinga!
O Ricardo acabou com a bagunça. Não tínhamos como enfrentar a sua assertiva. A Restinga era respeitável e sem dúvida era mais bem tratada, apesar da distância. A Tinga tinha os melhores ônibus, uma escola de samba (que enfrentava as tradicionais Bambas e Imperadores) e elegia sozinha seus vereadores (quase sempre diretor de alguma autarquia municipal), e por aí vai. Mas isso não interessa.
Supremacia viamonense
Depois que saí da Prefeitura perdi contato com este meu colega. Mais tarde, no tempo das festas da Sogisi, ele apareceu pela noite da Santa Isabel. Era freqüentador assíduo. Havia se rendido à nossa vila e até casou com uma guria daqui. Mas continuou morando na Lomba do Pinheiro. E eu sempre mexia com ele: Viamão ainda era melhor! E agora ele concordava. A Via do Trabalhador uniu o Pinheiro com a Santa Isabel, mas levamos certa vantagem, pelo menos nos primeiros anos.
Mudanças na paisagem
Aqui da Aparecida, das ruas mais altas, hoje se avistam as mudanças que estão acontecendo na paisagem por de trás do Saint Hilaire. Bem ao sul, lá pela parada 14 da Lomba do Pinheiro, prédios de apartamentos estão brotando do chão. Na subida para o Jardim da Paz, o mais moderno centro de produção de processadores e chipes da America Latina. Condomínios de classe média nascem aproveitando a proximidade com o centro da capital. A mesma distância de Viamão.
Onde erramos?
Nem vale a pena fazer esta pergunta. Muitos vão responder que não erramos, de maneira alguma. Então deixa prá lá? Não mesmo!
Esse talvez seja o nosso grande erro. Não queremos comparações. Ou melhor: não admitimos comparações. Não ousamos, e não queremos ser comparados com quem ousa. Não investimos e insistimos que é covardia a comparação com que tem coragem de investir.
E não falo apenas de nossos governantes, não senhor! Por que estes são uns pobres coitados que não conseguem nem passar da 31. Falo de todos nós. Em todos os debates que fazemos temos que nos contentar (resignação seria a palavra certa) com pouco. Foi assim no Carnaval, é assim no Arroz com Leite e também na corrida eleitoral. Sempre nos contentamos com o menos pior. Com o suficiente para nossa comunidade, nunca o melhor, apenas o suficiente.
Respeito
E me incluo neste círculo vicioso, caro leitor, com certeza. Pois sou viamonense também, ora! Mas isso só piora ainda mais a nossa situação. Faz com que não tenhamos mais respeito por nós mesmos e sendo assim, quem nos respeitará?
Por isso quando chega a vez de elegermos representantes em nível federal e estadual, os forasteiros vêm pilhar nossas urnas. Por isso as empresas vêm de fora, nos exploram e vão embora, ou ficam sem olhar com carinho para a nossa terra. Por essas e outras, e por não sabermos fazer o básico é que nossos líderes recebem puxões de orelha dos figurões de Brasília, que precisam nos mostrar o que está bem na frente dos nossos olhos. Talvez palmadas sejam mais apropriadas.
Mudando de assunto, mas nem tanto
Não pude comparecer na apresentação que a Acivi preparou para o projeto “Eu elejo Viamão, e você?”, mas sei que já é um bom começo para acabarmos com essa apatia generalizada. A Acivi tem nos últimos anos assumido o seu papel na sociedade viamonense, que é cobrar e incentivar mudanças na forma de pensar nossa cidade. A turma do André Pacheco está de parabéns. Só falta agora é criar uma seção da entidade para o Quarto Distrito. Aos poucos a gente vai amadurecendo esta idéia. Não é mesmo André?
Coluna publicada em 28 de março de 2009.

Falecimento

Já vai tarde!
Vai deixar saudades, mas já estava mais do que na hora de morrer. Muitos diziam que já estava com a morte decretada há algum tempo, mas tinham medo de desligar os aparelhos. Pois no domingo pela manhã, exatamente às seis horas e cinqüenta minutos, quando a última escola de samba passou pela passarela do samba do Autódromo de Tarumã, foi sepultado o Carnaval de Rua de Viamão.
Não que ele não possa continuar acontecendo como expressão popular, mas o Carnaval Competitivo, aquele que as escolas de samba perseguem como forma de valorizar e abrilhantar seus meses de trabalho e dedicação pelo samba, este terminou de vez. Não há porque ficar se enganando, tentando remendar e comparar, como fizeram alguns especialistas “chapas brancas”, esta semana. Agem como os músicos do Titanic, que continuaram a tocar no deck do gigante, enquanto ele afundava.
Nem viúvas deixou
Claro que uma ou outra viúva do Carnaval de Rua vai ficar por aí se lamentando. Mas conversei com a maioria dos presidentes das escolas de samba de Viamão e com algumas personalidades do Carnaval e todos foram unânimes em afirmar que a estrutura montada no Tarumã não deixou nada a desejar. Tirando um ou outro problema de coordenação, mas que é normal na estréia de qualquer evento, ninguém teve reclamações. Se tivéssemos organizado uma muamba, que pudesse simular o que teríamos na noite do último sábado, nem estes pequenos contratempos teriam acontecido.
Não dá para comparar
Outro pecado de alguns críticos à decisão da Assencarv de levar o Carnaval para Tarumã é querer comparar o desfile das escolas no sábado com o Carnaval da Avenida Liberdade.
O Carnaval de Rua não é compatível com uma cidade das dimensões da nossa. Justificava-se quando Viamão tinha 150, 180 mil habitantes, mas nos tempos modernos, onde nossos núcleos urbanos não param nenhum dia da semana, fechar uma rua tão importante como a Liberdade é um despropósito.
O Carnaval de Rua atrapalha a vida de quem não gosta de Carnaval, trata mal quem gosta (ou será que alguém gosta de ser apertado e pisoteado na multidão que quer assistir aos desfiles?) e atrai quem não tem opinião sobre o assunto, mas vai para a avenida, ávido por criar confusão.
Carnaval sem incidentes
Nas doze horas que passei dentro do autódromo, tudo transcorreu na maior civilidade. Só houveram dois incidentes, protagonizados por dois rapazes inconvenientes que foram prontamente convidados a se retirar da pista de eventos.
Ouvi esta semana de um empresário da Santa Isabel, que me perguntou se eram verdadeiras as informações que repassaram na região de que o desfile do autódromo teria sido um fracasso. Como seria um fracasso uma empreitada tão democrática como essa? Onde todas as escolas de samba, irmanadas sob a bandeira da Assencarv, eram anfitriãs e convidadas, o que poderia dar errado?
Este mesmo empresário, muito amigo do prefeito Alex, depois me confidenciou: “torci pelo Carnaval do autódromo. Agora eles têm que devolver o desfile de Sete de Setembro para a Santa Isabel!” Torço por isso também. E como torço.
Coluna publicada em 21 de março de 2009.