quinta-feira, 29 de abril de 2010

Novo modelo

O leitor Jair Della Cesare manda, por email, suas considerações a respeito da participação popular nas decisões da cidade. O Jair diz que está frustrado com a baixa participação popular e considera “jogo de cena” a realização do Orçamento Participativo em nossa cidade. A seguir a proposta do Jair:
Amigo Eduardo. Proponho a dissolução da Câmara de Vereadores, como a conhecemos e no seu lugar criaríamos um Conselho de Gestores de bairro. Cada bairro, de acordo com as seções eleitorais, elegeria um gestor e um subgestor. Numa cidade como Viamão, teríamos mais de 300 representantes.
Estas pessoas teriam uma verba que seria a média de custeio dos últimos três anos da Câmara de Vereadores, dividida pelo número de gestores de bairro. Supondo que são 300 os bairros de Viamão, dividindo o valor de R$ 6 milhões de orçamento anual da Câmara, cada um receberia R$ 20 mil durante um ano para custear instalações, serviços e, se necessário, sua equipe. Este orçamento seria controlado por um conselho fiscal do bairro que aprovaria as contas e todo caixa seria disponibilizado na Internet, bem como as propostas dos moradores dos bairros.
O que poderia melhorar? Bom eu garanto que ao saber que meu vizinho, é o meu representante no Conselho de Gestores da cidade, eu vou exigir dele diariamente e pela internet, que cobre as melhorias do Executivo, como a comunidade assim desejar.
Tenho certeza que teríamos mais controle sobre as verbas, os votos e dificultaria sobremaneira que se montassem grupelhos que se perpetuam no poder, como acontece hoje. Não é possível que 14 pessoas sejam ungidas e decidam o destino de 260 mil habitantes. Proponho uma ação popular para mudarmos a lei e nos adequarmos à nova realidade. Não é por que nos foi imposta esta forma de governar que ela é a melhor. Pelo contrário. Está totalmente exaurida e falida.
Jair Della Cesare – Vila Monte Alegre
Boa intenção
Não dá para negar a boa intenção do Jair, mas não podemos esquecer que o modelo municipal está baseado no sistema utilizado em todas as esferas do poder. Teríamos que modificar todo o processo desde Brasília e isso é muito difícil. E resta ainda outro problema: como seriam feitas as leis municipais, um conselho com mais de trezentos representantes incentivaria demais a diversidade de opiniões e o consenso seria muito difícil e demorado de ser alcançado.
O poder é bom
Além do mais, meu caro amigo, o poder tem um sabor irresistível e com certeza, esses trezentos gestores iriam dar um jeitinho de se perpetuar no poder, e os tais grupelhos que tu mencionaste teriam campo e espaço para prosperar. Por isso não acredito que, algum dia, encontraremos o modelo ideal de democracia. Isso só o Hugo Chaves e o Fidel conseguiram.
Falando em Chaves
O companheiro venezuelano Hugo Chaves estreou no Twitter (aquela coisa chata e sem graça onde todo mundo segue todo mundo no ciberespaço). Até o fechamento desta coluna (bah!) o ‘Diabo’ já tinha oitenta e nove mil seguidores. Eu e o Daniel Jaeger brincamos: oitenta mil são funcionários públicos venezuelanos. Os outros nove mil são jornalistas que precisam estar atentos aos passos do líder bolivariano.
Em tempo
O meu endereço no Twitter é @escobarviamao e o do Daniel Jaeger é @blogdodaniel. Chique não?
Cartilhas
Os dois campeões de votos na eleição do Conselho Tutelar, na Sede e no Quarto e Oitavo Distritos, vão atuar conforme o Estatuto da Criança e do Adolescente ou vão seguir a cartilha do governo municipal que empenhou todas as suas forças para eleger os candidatos “chapa branca”?
Antipichação ou cupinicida?
Para quê serve a tinta antipichação que usaram no Farroupilha Municipal? Poderiam utilizar os 72 mil reais que sobraram da reforma da escola e comprar Jimo Cupim. Tem gente na Prefeitura precisando.
Coluna publicada em 01 de maio de 2010.

sábado, 24 de abril de 2010

Cidadão de bem

O recente caso de agressão a um cidadão em estacionamento de um supermercado, em Porto Alegre, além de gerar uma grande onda de indignação (pelo menos por quinze minutos – até que a próxima barbaridade seja entregue, quentinha, em nossos lares) criou uma série de debates sobre a situação. Ouvi opiniões de todos os naipes e muitas delas de uma idiotice atroz, o que me credenciou para também registrar a minha.
Todos têm enaltecido a atitude do empresário agredido, e não poderia ser diferente, afinal é isso que esperamos de cidadãos conscientes. Que tenham capacidade de posicionamento quando alguém transgride as normas, e concordo com ele. Temos que externar nossa indignação, nosso descontentamento com os que teimam em infringir as regras da sociedade, ou criam uma tábua de leis própria, onde só valem aquelas que ele considera benéficas para a sua existência.
Mas e o resto? E a nossa vida em sociedade tutelada pelo Estado? Sim, porque se você esqueceu, nós seres humanos desde os mais longínquos momentos de nossa existência neste planeta, decidimos viver em sociedade e sob as asas do Estado organizado, seja ele teocrático, monárquico, beligerante ou um modelo mais recente: a tal de democracia.
Pois é quando este Estado protetor entende que não pode estar presente em todos os lugares, monitorando todos os cidadãos de bem (e os do mal também) é que se torna necessária a implantação de convenções que deveriam ser seguidas por todos e vigiadas por uma minoria delegada. O problema é quando esta minoria não age, ou se omite.
De uns tempos para cá um novo tipo de cidadão tomou conta das ruas. Até se organizaram em entidades não governamentais, buscando preencher o espaço deixado por este Estado, que cobra e recebe para agir e tutelar a sociedade. Não que eu considere esse modo de agir um gasto desnecessário, desviando de energia, não! Sou um incentivador destas manifestações, mas deveríamos primeiro cobrar das autoridades e das minorias delegadas que cumprissem com o seu dever.
Quantas vezes você não se indignou, também, com um motorista que ocupa uma vaga reservada? Ou com aquele cara que não levanta para dar lugar para uma gestante ou idoso, no ônibus? Ou ficou irritado com aquela fulana que entrou na fila do caixa com treze itens quando o cartaz dizia, em letras grandes e legíveis, que poderia passar somente dez produtos? O dia todo, a toda hora, estas infrações leves, pecadilhos do dia a dia, acontecem e continuamos nos indignado e não acontece nada.
Imagine se em todas estas situações a gente se dispusesse a agir como o empresário que reclamou o uso desvirtuado da vaga para pessoas portadoras de deficiência. E se para cada ação “cidadã” existisse uma reação bárbara e brutal, como a que aconteceu? Várias pessoas estariam se digladiando nas ruas, nos ônibus, nas filas dos supermercados e a nossa sociedade perderia seu valor, e nossas instituições, aí sim, estariam falidas.
Uma coisa que deu para notar nas imagens que correram o Brasil, na agressão do empresário, é que a segurança do estabelecimento, demorou ao reagir e socorrer o agredido. Talvez nem tenha agido, deixando a refrega para a Brigada Militar. E isso é que deveria nos indignar.
Quem deveria repreender o motorista desleal eram os seguranças do supermercado! Assim como quem deve esculachar o indelicado passageiro do lotação ou a dona de casa que quer levar vantagem na fila do mercado é o cobrador do ônibus e a funcionária que atende no caixa! Eles são a minoria delegada. Se as regras foram feitas para serem respeitadas por todos nós, na ausência do estado, são estas pessoas os agentes repressores destas infrações tão leves que chegam a ser ridículas.
Deveriam as autoridades, além de processar judicialmente este “cidadão” que perdeu a cabeça, atentando contra a vida de um semelhante, também questionar a atuação dos responsáveis pelo supermercado. A sociedade deveria se indignar é contra as instituições que prestam serviços à comunidade e vivem do lucro que estes serviços lhes proporcionam.
Não sei você, caro leitor, mas eu estou cansado de ouvir, de quem deveria fazer as regras serem cumpridas: “não posso fazer nada...”. Eles têm obrigação de fazer alguma coisa. Por menores que sejam as regras.
Zelo e atenção
Numa cidade tão carente de meios de comunicação é sempre bom ficarmos atentos com a condução de algumas rádios comunitárias que estão abrindo espaço desproporcional para candidatos e pré-candidatos às próximas eleições. Sem dúvida, não é o papel destes veículos.
Coluna publicada em 24 de abril de 2010.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Escola da Bica

Peço ao leitor que não me condene ou faça julgamentos preconceituosos. Já utilizei este espaço para elogiar ou valorizar a ação de alguns amigos ou personalidades viamonenses. E isso não é crime, pode ter certeza. Mas tenho uma obrigação íntima, muito pessoal de aqui, hoje, elogiar e parabenizar um grande amigo pela sua participação no processo de retomada das obras da Escola da Bica, na Santa Isabel.
Antes de ser convocado pelo Dédo para participar de todo o processo, aquele prédio pela metade, sem reboco, com as paredes caindo, era para mim apenas mais um monumento ao desleixo com a coisa pública. Já era coisa do passado, que nunca mais iria sair do papel, e se saísse seria mais uma gambiarra, aquela coisa que o viamonense já está acostumado: “vamos ver o que dá pra fazer...”, e assim a coisa iria se resolver.
Depois da primeira convocação e da visita aos “escombros” vieram outras inúmeras visitas e pude acompanhar toda a obra que foi entregue tão bela na semana passada. E tenho que reconhecer (não como agente político ou ligado a qualquer corrente ou partido), como amigo, o trabalho do Dédo, como um dos responsáveis por esta conquista. Sei que ele não é o único responsável pela conclusão da escola, mas quero aqui fazer justiça ao seu trabalho e ao seu engajamento neste processo. Parabéns Dédo, pela conquista e muito obrigado por me fazer enxergar naquele monte de paredes inacabadas o futuro de uma bela escola.
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Uma das vantagens da fotografia digital, que definitivamente sepultou o processo fotoquímico é que o resultado é praticamente instantâneo, ou seja, na hora o fotógrafo já sabe se capturou uma imagem pelo menos razoável do momento. Antes, teríamos que esperar o retorno das fotos do laboratório de revelação, para então termos certeza de que ficara satisfatório o resultado.
Na sexta-feira passada fui convocado às pressas para elaborar um material de divulgação da Escola da Bica, que foi inaugurada na terça-feira, com a presença da governadora Yeda Crusius. Capturei uma série de imagens do prédio e do entorno do educandário que serviram de base para o material. Na correria e na pressa para entregar o resultado à gráfica para a impressão, não perdi muito tempo avaliando a qualidade, mas depois com um pouco mais de tempo, fiquei tocado, não pela qualidade, mas pelo que representavam algumas imagens. O leitor já se deu conta de quanto tempo fazia que Viamão não recebia um investimento do tamanho do que foi feito aqui na Santa Isabel? Hoje temos a mais moderna escola de nível médio do Estado. Sua estrutura é de dar inveja a muitos outros municípios. E a promessa é de que será investido muito mais, pois em breve poderemos ter, ali ao lado, dentro do terreno repassado para a escola, um ginásio esportivo que servirá, com certeza, não apenas à Escola da Bica, mas também a comunidade isabelense.
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A edificação da Escola da Bica, imponente à beira do grande talude, naquele vale onde outrora existia o campo de futebol da Bica e a promessa de um grande espaço de lazer para a comunidade mudou o perfil da região e mesmo que não se transforme em um cartão postal (é só uma escola, dirão alguns) vai deixar sua marca no futuro da Santa Isabel. Por isso quando ando ali perto fico procurando um novo ângulo para contemplar o belo presente para a educação de nossos jovens. Assim como outros tantos pontos que existiam e que ficaram na saudade, encobertos pelo crescimento da nossa querida vila, um dia a Escola da Bica vai também ser absorvida pelo cenário urbano, mas a imagem que guardei, logo que foi inaugurada fica para a sua posteridade.
Emancipações
As turmas de Itapuã e Águas Claras marcaram presença no ato que foi promovido pela Associação Gaúcha das Áreas Emancipandas, na quinta-feira, na Assembléia Legislativa, quando novamente as áreas que pretendem a emancipação e a autonomia político-econômica pressionaram os parlamentares para que sejam revistas as leis que regulamentam a questão das emancipações. Ponto para nossos irmãos de Itapuã e da região de Águas Claras e Capão da Porteira. Quem ficar por último com a Vila Setembrina, que cuide da vovó.
Coluna publicada em 17 de abril de 2010.